Algo
que não se encaixa no resto do mundo, mesmo que o resto do mundo seja também
demasiadamente mórbido.
Mas
há alguma coisa. Alguma coisa no modo como as palavras se encaixam, como a métrica
se justifica e como as rimas podem ser intercaladas, cruzadas ou mesmo livres,
que faz com que a poesia seja magistralmente particular... E mórbida.
A
liberdade da poesia também segue por essa veia. Certo ar de riso macabro
daquilo que, muitas vezes, não é facilmente interpretado, daquilo que tem que
ser sentido para poder ser tocado, mesmo tendo natureza intangível.
Tem
alguma coisa peculiarmente mórbida na poesia,
porque tem alguma coisa peculiarmente mórbida na vida. O amor dos
trouxas. O humor dos reprimidos. O interior em expansão ardente dos
menosprezados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário