Semana passada, um "cara famoso" cometeu suicídio. Na semana passada, Chester Bennington, membro de uma das bandas de rock mais respeitadas e renomeadas da atualidade, incrementou uma das estatísticas mais assustadoras e tristes dessa geração. Uma estatística que aponta que, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo. Possivelmente está acontecendo bem agora... Mas, agora, a nossa memória é que Chester cometeu suicídio, então resolvemos falar muito (MUITO!) sobre isso.
Mas o que exatamente nós estamos falando?
Hoje, as pessoas continuam falando sobre o Chester. Hoje, assim como no setembro amarelo do ano passado, na época do BUM da Baleia azul e em tantos outros dias de mortes famosas, nós estamos falando sobre suicídio, mais especificamente, sobre prevenção. Hoje também, no twitter, um tweet com mais de 20mil RTs está circulando com informação errada sobre contatos para auxílio para pessoas com depressão e pensamentos suicidas.
Eu estou estudando para ser jornalista, então, é presunçoso da minha parte falar sobre "checar informações antes de disseminá-las". É parte da minha formação fazer isso, mas o resto do mundo não tem essa necessidade. É o século XXI; nós precisamos ter todas as notícias depressa, todo o conhecimento precisa estar resumido em 140 caracteres, nossas reações precisam se encaixar em um número limitado de memes. Em partes, não há nada de mal nisso.
Ninguém faz uma pesquisa profunda sobre tudo que compartilha nas redes sociais e tudo bem – tudo bem quando é algo banal e corriqueiro. Mas não estamos falando mais sobre memes, não estamos discutindo política ou religião ou qualquer assunto muito polêmico que até que vale a discussão. Nesse momento, estamos falando sobre a linha tênue entre viver e morrer.
Situação: alguém tem uma parada cardíaca no meio da rua, um pedestre do momento corre em socorro, mas não sabe de cor o número da emergência e eu lhe digo que ele pode ligar para 0800-988157601. Esse (tirando o 0800, claro) é um antigo número de celular que eu usava, cujo chip está empoeirado, se decompondo, em algum lugar qualquer da minha casa. É um número inválido; e tem uma pessoa morrendo...
A informação vale ouro!
Enchemos a boca para falar que as pessoas banalizam a depressão e todos os inúmeros distúrbios emocionais que aprisionam nossa geração; mas, na maioria das vezes, o que estamos fazendo é apenas apontar o dedo mais uma vez.
Falamos que "fulano pensa assim ou assado", mas precisamos encarar que, quando nos permitimos disseminar uma informação errada sobre esse assunto tão delicado, quando não nos damos o trabalho de pesquisar, ao menos uns 15 min, antes de clicar no "compartilhar", nós estamos dizendo: "Não, não é tão importante assim, não vale meu tempo. Saúde mental pode esperar!"
Precisamos parar e, pelo menos uma vez, rever nosso comportamento online, porque esse tópico não pode mais esperar. Uma pessoa precisando de ajuda quase nunca pode esperar.
Então, pela milésima quadragésima sétima vez, precisamos falar sobre suicídio, sobre depressão, sobre prevenção... Mas precisamos falar da maneira certa, com responsabilidade. A linha é tênue, lembra?
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O Centro de Valorização da Vida (CVV) é hoje, no Brasil, a associação que carrega como responsabilidade auxiliar pessoas que se encontram no limite, que estão tendo pensamentos perigosos sobre a própria vida. Seu número é o disque 141 e, até o momento, é o único comprovado como contato para auxílio.
Enquanto ouso falar sobre o CVV, é importante ressaltar também que estamos falando de trabalho voluntário aqui. Pessoas que se sentem inclinadas a ajudar, nessas situações, se disponibilizam para participar da organização e responder a ligações, chat, mensagens. Nem sempre, porém, eles dão conta de conseguir atender a todas as chamadas, considerando que a demanda cresce, cada vez mais, no país.
O CVV funciona através de trabalho voluntário. Se você se interessa por essa causa e possui disponibilidade e estrutura emocional para tal, fique de olho no site e se candidate. O CVV oferece, periodicamente, um curso para novos interessados no voluntariado para se certificar de que todos estejam capacitados para ajudar nessas situações delicadas e para manter saudável seu próprio psicológico. Para saber mais, visite: http://www.cvv.org.br/

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