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Em silêncio, na escuridão, te imagino por perto, me segurando sobre seus braços magros e brancos. Você tem toque firme, um cheiro bom, olhos curiosos, o sorriso perspicaz, mas a risada... A risada de parar o meu coração com máxima sutileza.
Quieta e comigo mesma, você me pertence tanto e, ao mesmo tempo, se encontra tão longe, distante, inalcançável. Por isso me pertence, porque é o retrato do meu desejo, bem nessa madrugada em que me encontro sozinha. Talvez você não esteja tão sozinho. Te imagino num bar, com o seu riso fatal frouxo diante dos seus amigos. Assim, se divertindo com outras — e, quem sabe, outros —, você é tão meu.
Quem sabe, por um momento, você chegue a ser meu de forma mais convencional...
Talvez na segunda de manhã, sua boca encoste na minha e, assim como tantos caras antes, você pense: "Meu Deus, quero essa boca de novo. E sempre. E tanto." Ou talvez isso só aconteça daqui a dois meses ou mais, em uma festa qualquer. Você nem vai ter falado comigo ainda, mas, então, entre todos os nossos colegas, você me verá dançando em uma roda de amigas — pode estar tocando Ludmilla ou algo mais indie — e você irá pensar "Já sei com quem eu vou dormir hoje".
Em algum desses momentos, você será aquela maçã bonita e vermelha que, por obra de um acaso favorável, está mais a mão do que todas as outras maçãs acima do pomar que permeia meu caminho todos os dias.
Então, você não será meu.
No exato segundo em que estiver com a pele em contato com a minha, simultaneamente, você estará escapando por entre meus dedos, passando a ser, consciente disso ou não, de quem quiser. Assim, adio esse momento ao máximo e te deixo dentro de mim, agarrando-me aos seus traços imaginários que me aquecem os desejos nessa madrugada.
Aqui dentro, você ainda é tão meu. Com todos seus receios bobos e seu ar de conquistador por detrás desse belo par de óculos, seu aroma se mistura com seu olhar de reprovação quando alguém comenta algo desnecessário e seu sorriso toma um caráter peculiar quando você está sem graça. Meu Deus, não perca completamente a timidez comigo. Quando você coloca as mãos nos bolsos quando conversa com alguém, eu sou tão sua.
E, se a próxima segunda de manhã me permitir, eu ainda serei sua na terça.
Adiarei ao máximo possível te perder, porque, não saberia segurar ninguém próximo a mim agora, mas, acredite... Você, ao longe assim, tão você de mil formas que eu anseio descobrir... Sob esses termos, você é tão meu e, cá entre nós, você bem sabe.
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