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“Você ainda me ama?”

Você sabia que sim. Sabia que, por trás de toda aquela nuvem de negatividade que encobria o nosso passado, meu coração apertado ainda era tão seu quanto possível. Ah, pobre órgão vital!

Sempre foi tão certo que, depois de todos os seus erros, dos meus erros e dos nossos acertos juntos, nós funcionávamos e pensávamos como um. Chegava a enlouquecer. Nós não completávamos frases como os casais normais, completávamos os tropeços um do outro e interligávamos os sentidos que o pensamento único não conseguia achar por si só. Nós éramos a confusão de dispostos que se atraem.

Eu costumava gritar você para o mundo e, agora, posso sentir o mundo gritar você para mim. Esse berro enérgico me ensurdece, me sufoca, me aperta. Você também. Grita comigo e diz gritar por mim, mas não é bem assim. Você não é capaz de roubar minha voz, nem as sensações, nem mesmo você. Você não se rouba de mim e eu grito para que o faça. Juntos, nos calamos em um silêncio que poderia durar para sempre, mas dura o suficiente para recordarmos a explosão que somos quando aliados.

Mas sua dúvida me incomoda, você sabe. Mexe brutalmente com o nosso ponto mais fraco, ressaltando nossa inconstância. Ambos sabemos como funciona. Temos certeza dos nossos sentimentos um pelo outro, mas também temos egoísmos particulares, vivendo em montanhas russas. Perto e longe; claro e escuro; dias, sim e noites, não; hoje estamos juntos, amanhã...

Amanhã, não, nem depois. Chegamos ao fim da montanha russa.

           Hoje eu tenho a certeza de que eu te amo, mas sei que quero ser mundo. Você tem a certeza de que ama o mundo, mas, em partes, quer ser meu. Nós somos assim: o mundo todo e amor, sempre muito, sempre demais, sempre transbordando. Nesse exagero, não temos amanhã para esperar, porém guardamos a eternidade somente para nós.

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