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      O vento de uma tarde de inverno faz seus cabelos esvoaçarem, mas os pensamentos permanecem intactos. Finalmente organizados, eles agora não parecem mais tão vulneráveis. Pena que as aparências enganam.

      Ela, pequena notável ruiva do Leblon, encarcerada em alguns luxos particulares. Sua aparência demonstra seu gosto pela segregação, pelo topo; mas seu coração é livre, solto para a vida, aberto para toda e qualquer verdade, amante de desafios... Assim como o dono dele. Skatista, perdido no mundo, mas sempre acomodado nos devaneios dela.

      Um pingo de chuva toca-lhe a face, fazendo-a parar e se preparar para esperar. Com calma, a ruiva se deita sobre um banco qualquer de praça e fecha os olhos. Tudo que ela consegue captar é o som dos passos alheios, o arrepio que a brisa gelada lhe causa e o ritmo instável da sua respiração. Mas o importante era o que vinha de dentro, o silêncio que se propagava internamente.

      “Você tem que aprender a sentir a mim... a você... Como... Como a chuva. Você já parou para sentir a chuva?”, ele lhe perguntara, enquanto deitava na grama e esperava os pingos começarem a pender das nuvens. Antes, ela ria e o chamava de maluco, se deixando levar pelo medo dos próprios sentimentos. Agora, ela ri para a chuva, se afoga em lembranças e abraça o vento.

     Ela sabia que tinha aprendido, afinal, e sentia como se fosse um trovão. Barulhenta sobre suas próprias emoções, ela machucava os ouvidos de quem não estivesse acostumado. Já ele, para a ruiva, sempre seria o relâmpago. Vinha de forma inesperada, e, às vezes, assustava. Mas iluminava e trazia a clareza necessária para os pensamentos dela.

     Era dessa forma que ela sabia que o que eles tinham não era compromisso, não era sentimento enraizado na definição da sociedade, não era novela de final de tarde, mas, sim, efeito. Eles eram a consequência de serem perfeitos um para o outro.

     Ciente disso, ela saia apenas para sentir, apenas para ser de si mesma, dele e, principalmente, do mundo. 

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