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Respirei fundo, desviando os olhos para o mar.

Já estava escurecendo e a praia começava a ficar vazia. Eu gostava de morar no litoral. O som do mar furioso e a brisa suave eram os principais responsáveis por eu ainda não ter perdido todos os parafusos que ainda mantinham minha mente em funcionamento. Mesmo que um funcionamento parcial.

Naquele dia, porém, nem o mais agradável dos ventos parecia capaz de me confortar em meio ao tsunami de informações explosivas e aleatórias que chegavam até mim. Quanto mais eu me esforçava para impedi-lo, com mais força ele vinha e atingia as paredes do meu mundinho interior, sempre tão protegido.

Eu estava enlouquecendo. Estava anoitecendo e eu ali, pressionando os joelhos contra meu peito para tentar aplacar o frio. Eu poderia simplesmente me levantar e ir para casa, mas esse era o jeito fácil, óbvio e seguro de lidar com as coisas. Um jeito que não parecia agradar em nada o meu lado mais descontrolado.

Tudo que estava acontecendo parecia acontecer pelo simples fato de eu não saber lidar com nada. Nunca. Sentada na areia branca, eu não era capaz de saber se gostaria de estar ali... Se fazia diferença eu estar ali. O mar quebrava suas ondas mais baixas bem perto de onde eu estava e, ainda assim, não havia resposta alguma que ele pudesse me trazer. 

Por quanto tempo eu estivera ali? Quão azul era a água do mar? Quão confusas poderiam ser as relações interpessoais? Quanto tempo a respiração humana aguentava não existir? Quanto tempo eu aguentava me relacionar ainda?

Todas aquelas perguntas se apressando ao meu redor me deixavam encarcerada dentro de mim. Com certeza, era errado dissecar os pensamentos, mas eles continuavam vindo, incansáveis. Eles insistiam. Eu insistia. 

Dar liberdade para que esses pensamentos tangenciarem o perigo ou mesmo forçar esse perigo era como persistir em desistir e era simples. Assumindo meu papel de adolescente transtornada e com nenhuma clareza mental, desistir parecia simples. Talvez não fácil, mas a promessa de tranquilidade era simplória, confortável... Eu diria, até mesmo, agradável.

Só que tudo era apenas uma grande maluquice dentro da minha cabeça, como se eu inventasse toda a realidade a qual tinha acesso. Ainda assim, em alguns poucos e raros segundos, eu tomava coragem e insistia em mim e na minha capacidade de sobreviver ao caos que eu mesmo criara. Este era o jeito certo de lidar com o mundo. Ironicamente era o jeito mais dolorido também... 

Eu me sentia louca. Desde que começara a me entender por gente, me sentir louca sempre foi uma constante. 

Estar ali na praia, sozinha, sentindo vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo. Confundir caminhos e escolhas. Ser pura e simplesmente eu. Pequenas grandes coisas que faziam de mim louca. Todo o resto não importava. Eu conseguia sentir a maluquice em mim, naquele momento, e tinha plena certeza que no dia seguinte – se o dia seguinte, de fato, chegasse –, eu ainda me sentiria louca. 

Talvez mais louca do que hoje. 

Isso importava?

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