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#Sentaaquievamosconversar

        Já passou da hora de gratidão deixar de ser apenas uma palavra bonita e em alta nos últimos tempos. Já passou da hora de abandoná-la como hashtag e começar a entendê-la como filosofia de vida...
 
 

 
Tenho tirado um bom tempo para mim nos últimos dias, para focar nas minhas coisas ao invés de sair despejando uma eu incompleta no mundo. Como consequência inevitável do meu silêncio interno, aparece a quietude externa e como quem pouco fala muito observa, há uma série de coisas que tem me deixado intrigada. O item número um na lista é ela mesma... Pode entrar, ingratidão.

Ser acusado de ingrato é, para a nossa geração good vibes (como já dizia Braza, “geração gratidão, saudação ao sol...”), uma ofensa que figura no topo das piores. Eu não escapo muito à regra. A gente sente que machuca a alma ser chamado de ingrato, mas, nesse caso, eu te garanto, só machuca o ego. Por mais que devamos preservar a nós mesmos e usemos de alguma dose de orgulho para isso, é preciso repensar até que ponto é tão relevante blindar o ego e cruzar os braços para as novas oportunidades de mudar de atitude.

A gente reclama. E reclama muito. De tudo. O tempo todo. É o trânsito da cidade que é uma porcaria, é a chuva que te pegou justo no dia que você não veio de guarda-chuva, é aquele trabalho horrível que está te tirando o sono porque a data de entrega é depois de amanhã, é aquele professor chato que dá aula de um jeito que você não gosta, é a pedra que está sempre no caminho. É um milhão de coisas negativas que se juntam em um bolo e faz com que cada dia nosso seja um dia, na melhor dar hipóteses, apenas “bom” e olhe lá...

Nós focamos no negativo pelo simples hábito de nos auto-sabotarmos e, calma, nem tudo é culpa sua. Vivemos em um sistema econômico e social que se alimenta da nossa infelicidade, porque é a partir dela que vem a insatisfação pessoal e é a partir da insatisfação pessoal que saímos como loucos para obtermos e acumularmos coisas para tapar nossos buracos. Só que nunca dá certo e sabe por quê? Porque não temos buracos nenhum.

Nascemos completos, íntegros e felizes com nós mesmos – e se você duvida, é só olhar para as crianças e se lembrar de si mesmo quando era uma. Por mais complicada que as coisas estivessem ou parecessem, naquela época, tudo ainda era muito vivo e existia felicidade depois de cada pedra que provocasse um tropeção ao longo do caminho. Gastávamos toda nossa energia em sermos nós mesmos e, o mais importante, nos divertir enquanto fazíamos isso.

De repente, porém, tudo muda. Não temos o cabelo, o rosto ou o corpo ideal. Não temos um quarto de dois andares, férias em um cruzeiro ou, sei lá, uma caneta que brilha no escuro e te faz ser aprovado em todas as provas da vida. Assim, dopados com um sentimento de insuficiência, passamos a enxergar cada pedra no caminho como o Everest, desistimos, nos damos por vencidos antes mesmo de tentar passar por ela e começamos a reclamar. Muitas vezes dos outros, mas sobra espaço para apontarmos nossas falhas também.

A questão é: quando é que sobra tempo para apontarmos nossos acertos, nossa perseverança e nossas conquistas?

 Não sobra. A gente deixa de ver todas as milhares de coisas boas que acontecem durante o nosso dia e passamos a focar o olhar apenas no negativo, apenas no que nos impede de prosseguir com um sorriso no rosto.

Tem uma frase que me marcou muito, após um período um pouco conturbado da minha vida que é “Você sobreviveu a 100% dos seus piores dias”. Só isso, curta, simples e extremamente gratificante, só que nunca nos damos conta de tudo o que aguentamos, passamos, escolhemos e fizemos até o momento em que estamos agora, nem no quanto se há para ser grato.

A gente reclama. Reclama parado no trânsito e deixa de olhar mais atentamente aquele caminho e descobrir lugares novos. Reclama da chuva e esquece que ela te atingiu quando você estava a caminho de casa, da sua casa quentinha. Reclama do trabalho horrível e esquece de que só está tendo aquele trabalho porque um dia pode comemorar absurdos a aprovação no vestibular.  Reclama do professor chato e não vê que o conteúdo importante ele está filtrando e você está perdendo uma ótima oportunidade de, com os tópicos em mãos, aprender coisas novas, mesmo que por você. Reclama que a pedra que está sempre no caminho e esquece as outras centenas de pedras que já estiveram e de como você conseguiu passar e aprender com cada uma delas.

Como eu disse, nós somos incentivados socialmente para reclamar, para focar na negatividade, então, é simplório demais simplesmente pedir que se faça o contrário. “Seja grato”, nós sabemos a importância disso, claro, afinal, postamos e compartilhamos nas redes sociais o tempo – às vezes, com uma foto paradisíaca ao fundo. Dizer isso é fácil, né? Querer isso é fácil, mas já passou da hora de colocarmos a mão na massa... Ou, melhor, de colocarmos a mão na alma e pacificar tudo lá dentro.

Haverá momentos difíceis, você sabe e eu também, mas a minha proposta hoje é que consigamos passar por eles sem cair em um espiral de energias ruins. Haverá muitas e muitas outras vezes mais nas quais encheremos a boca – ou os dedos, em alguma rede social – para reclamar e é para momentos como esses que eu lanço um desafio para todos nós. Quando der vontade de reclamar ou mesmo no meio de uma reclamação, te incito a pensar: “Ok, será que eu posso tirar alguma coisa boa disso?”.



Respire fundo, abra o coração e, então, pense. Dê a si mesmo a oportunidade de tirar proveito dos momentos ruins e aí a gratidão virá naturalmente!
 
Quase sempre, se estivermos dispostos a enxergar, a resposta a esse questionamento será positiva. Assim, aos poucos, talvez, a gente vai entendendo que cada dia é uma nova chance de FAZER o universo conspirar a nosso favor! 

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