"Querido Justin,
Semana passada eu te vi pela primeira vez.
A primeira vez em que eu tive certeza – depois de sete anos encontrando um pouco de mim em cada música sua, em cada declaração afetuosa postada em rede social – de que você existe, sabe? Ser humano de verdade, carne e osso, manias e sentimento. Para ser bem sincera, acho que eu não tinha certeza sobre isso até aquele momento em que te vi a alguns bons metros de distância. Não dá para me culpar por essa dúvida, eu tenho uma mente regrada pela fantasia e a ficção.
Mas aconteceu, finalmente. Lá estava você...
Ironicamente – e essa parte é importante pontuar – o momento não foi exatamente como eu imaginei, durante anos e anos, que seria. Na verdade, não foi nem um pouco como eu imaginei que seria.
Depois de um longo (longo!) dia de trabalho, no meio de uma aula da faculdade, eu saí correndo, de louca, até a Apoteose, com uma amiga. Sem ingresso e sem qualquer certeza, mas com uma confiança extra na bagagem que me dizia que, pela primeira vez, tudo poderia dar certo. Ou, caso não desse, bom... Eu já tinha perdido outros shows seus antes. Iria sobreviver!
Só que, na hora, isso sequer passou pela minha cabeça. Eu estava a caminho do exato lugar no qual eu tinha que estar no momento e algo em mim sabia disso. Se o mundo acabasse enquanto eu estivesse naquele percurso, estaria tudo bem, porque aquela era uma das poucas vezes que eu estava tentando de verdade fazer algo por mim, colocando em prática tudo de positivo que eu aprendi com você ao longo de sete anos e tentando ir atrás de algo que a Julianna adolescente que ainda vive dentro de mim sempre quis muito: você.
Eram meus vinte segundos de coragem insana do dia...
E valeu a pena, cada um deles.
Pois é, não foi exatamente como eu pensei. Eu tinha imaginado que faria uma blusa personalizada (que eu sempre adorei fazer) especialmente para um show seu, que faria os cartazes planejados para as surpresas durante o show, que estaria na pista Premium, grudada na grade. Porém, no dia 29 de março de 2017, eu estava na ponta dos pés, me espremendo entre as pessoas da Pista Comum, com a roupa que vesti às seis da manhã para ir trabalhar e tão somente com ela. É, a espontaneidade, quase sempre, mata os devaneios bem estruturados da mente, mas... Também oferece momentos e sentimentos tão únicos que o coração demora a acreditar!
21h20. Foi por volta dessa hora que eu comecei a correr pela pista da Apoteose em direção a você. O show já tinha começado e minhas lágrimas se precipitaram para fazer o mesmo, querendo molhar o rosto, querendo experimentar de perto aquele momento, querendo pôr para fora sete anos de espera. Só que não era a hora certa. Segurei.
Segurei o choro e o momento e, ainda que não tenha tido a chance de segurar você em um longo abraço, seguro aquela noite desde então e não pretendo soltar tão cedo. Talvez nunca.
Eu entendo qualquer pessoa que escute essa história e veja tudo isso apenas como um show legal o qual eu fui. Eu entendo que elas não consegue me entender nem de longe e tudo bem sobre isso. Só que, para além de "só um show legal", o que aquela noite – aquelas 1h40 que eu fiquei naquele espaço, vendo e ouvindo você – representou para mim é algo que mal pode ser descrito e, de alguma forma, eu ainda acredito que você poderia compreender perfeitamente bem, ainda que eu não soubesse como explicar. É questão de conexão!!
De pé ali, me embrenhando entre pessoas ranzinzas, e observando o palco a metros e metros de distância, eu vi você e, através da sua imagem, visualizei a mim mesma, uma vez mais agarrada a um ideal tão meu e que você chegou apenas para reforçá-lo em meu coração: acreditar.
É engraçado, porque uma parte de mim não conseguia acreditar que eu estava ali, enquanto, em contrapartida, cada célula do meu corpo sabia reconhecer que, se eu estava ali àquela noite, era porque não tinha desistido de acreditar nas coisas que eu realmente queria de verdade. E, se alguma vez eu pensei em abandonar algum sonho, eu sei que busquei no seu trabalho e na sua arte algumas razões para não fazê-lo. Sem ter a menor noção da minha existência, ainda assim, você sempre me mostrou motivos mais do que necessários para continuar.
Eu amo você, Justin! Mesmo que todas as pessoas ao meu redor não consigam entender esse amor misturado bem ao ponto com uma admiração que abraça a essência da bússola da minha vida.
Hoje, eu agradeço. De todo o meu coração, te agradeço por ter me deixado ver você. Não no show – quer dizer, no show também, valeu aí ter trazido a turnê para o Brasil –, pelo menos, não só lá. Refiro-me a me deixar ver seu coração, a me deixar ver um pouco do seu pior lado – eu ainda não concordo com muita coisa feita, moço – e ainda não conseguir te odiar, a me deixar ver que há um pouco demasiado grande por trás de todas as manchetes tendenciosas que ninguém sabe, ninguém sente. Agradeço também por continuar fazendo um trabalho incrível e permanecer na minha vida nos últimos sete anos, por me deixar encontrar apoio em uma das artes mais lindas do mundo, que admiro desde sempre: a música e, nesse caso, a sua música.
Conheci o seu mundo quando insistia em viver escondida no meu; continuei a acreditar em tudo que sempre quis quando as coisas pareciam incrivelmente distantes e, por fim, graças a você, há uma semana, tive meu propósito relembrado (e esfregado gentilmente na minha cara, ao som da sua voz estonteantemente agradável se misturando com a voz da multidão) e, mais do que isso, reforçada a ideia de que, aconteça o que acontecer, ele sempre valerá a pena.
Então, obrigada por estar aqui, mesmo que longe e, acima disso, obrigada por reforçar em cada música e em cada nota bonita que sai da sua alma, o quão maravilhoso é poder ser eu mesma e ter os sonhos que tão somente eu poderia ter e conquistar!
Você e eu, eternamente uma parte do meu coração.
Eu amo você!
Com todo carinho do mundo,
Juli."


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